A Hipnose é uma ferramenta terapêutica que desperta muita curiosidade e dúvidas na população em geral. E muitas vezes é confundida com mágica, mistério ou algo místico.
Mas quando estamos interessados em algo, devemos estudar o assunto para não cairmos nas armadilhas da insensatez e dos julgamentos equivocados.
Então, que tal desvendar este assunto e tirar suas próprias conclusões?
Começando pela legislação, em 1999 a Hipnose recebeu o seguinte parecer do Conselho Federal de Medicina:
“A hipnose é reconhecida como valiosa prática médica, subsidiária de diagnóstico ou de tratamento, devendo ser exercida por profissionais devidamente qualificados e sob rigorosos critérios éticos. O termo genérico adotado por este Conselho é o de hipniatria”.
Este parecer também define que a Hipnose é um “Ato Médico”, ou seja, uma prática médica repleta de valor para a busca da saúde e, portanto, com indicações precisas no contexto médico. A Hipnose Clínica deve ser exercida por profissionais éticos e habilitados nesta formação, que não se permitem exibicionismos de palco ou espetáculos de rua. O que se assiste em palcos e TV normalmente são praticantes leigos, que estão buscando impressionar plateias e não estão, necessariamente, comprometidos com a saúde de um paciente.
Mais um detalhe? O médico que pratica a Hipnose é reconhecido como Hipniatra.
De forma que todos possam entender, a seguir vamos conceituar e listar algumas das principais indicações para o uso da Hipnose. Acompanhem abaixo.
Conceito de Hipnose
A Hipnose é uma técnica terapêutica em que se induz o paciente a um estado alterado de consciência, caracterizado por uma atenção central altamente focada e diminuição da percepção periférica.
Difícil de entender? Pense assim, “na hipnose eu estarei muito relaxado, mas focado e meu médico se utilizará disso para me auxiliar na reorganização dos meus sintomas e queixas”. Você estará consciente o tempo todo, mas é importante que esteja diante de um profissional competente e em quem você confia, onde você o estará autorizando a conhecer as causas de suas dores e dificuldades pessoais.
O nível de consciência, durante o processo, varia de acordo com a profundidade do transe, mas, para efeito clínico, trabalha-se com o paciente em nível de “inconsciência leve” ou um relaxamento profundo para que as sugestões propostas possam ser assimiladas efetivamente. É um estado semelhante àquele em que estamos quase dormindo, onde ouvimos os barulhos externos, mas não reagimos a eles e vamos entrando devagar na fase seguinte que é o sono profundo. A diferença é que na sessão de hipnose, normalmente não nos interessa o adormecimento. Mas se isso acontecer, o paciente vai dormir alguns minutos e acordar naturalmente.
Em outras palavras, no paciente submetido a Hipnose, aumenta-se a capacidade de resposta do subconsciente às sugestões realizadas pelo médico que conduz a sessão de hipnose. Consequentemente, alcança-se mais facilmente as mudanças que se fazem necessárias.
Todos podem ser hipnotizados?
Sim, todos podem ser hipnotizados, desde que queiram e que permitam a indução hipnótica.
Reforçamos que o paciente sempre estará no controle da sessão, pois a Hipnose é um processo de auto aplicação e consentimento, onde o profissional médico terá o papel de conduzir a sessão de forma terapêutica, levando à ressignificação das queixas e sintomas e garantindo resultados eficientes. Além disso, o paciente poderá interromper a sessão a qualquer momento, caso seja essa a sua vontade.
Técnicas de Indução para Hipnose
Existem diferentes técnicas de indução hipnótica e abordagem terapêutica, variando entre sugestões verbais, dinâmica não verbal, induções instantâneas, relaxamento, uso de imagens, sons, além do método clássico ou Ericksoniano. Mas não iremos descrevê-las aqui, pois são destinadas especificamente aos profissionais hipniatras.
Para a desmistificação da técnica, esclarecemos que o transe hipnótico é um fenômeno natural, cotidiano e de ocorrência espontânea, sem que a maioria das pessoas se dê conta de estar vivenciando, em alguns momentos do seu dia a dia, elas próprias, um processo hipnótico.
Enquanto fazemos atividades rotineiras, monótonas e repetitivas, nosso cérebro entra naturalmente em estado hipnótico ou transe hipnótico, como quando assistimos a um bom filme no cinema e comemos, sem perceber, um pequeno balde de pipocas. Neste caso, a mente consciente está focada no filme, enquanto, sem uma percepção clara, comemos pipocas numa quantidade e velocidade maior do que registramos conscientemente naquele momento. Esse, inclusive, é um dos motivos de aconselharmos as pessoas a não fazerem suas refeições diante da TV ligada ou a não se alimentarem enquanto realizam outras atividades monótonas, pois com certeza, a ingestão do alimento será maior do que o desejável.
Outro exemplo é encontrado com frequência em jogadores compulsivos de videogame, cuja vontade de passar de fase é tão grande que acabam por entrar, espontaneamente, em um indesejável transe hipnótico e deixam de cumprir necessidades básicas, como alimentação, sono e higiene pessoal por várias horas seguidas.

Tratamento com a Hipnose: quais são as indicações médicas para o uso da Hipnose
A Hipnose está indicada no alívio de todos os tipos de dor desde que a sua causa já tenha sido diagnosticada, evitando assim que se mascarem sintomas importantes na identificação da patologia subjacente.
Há indicação da Hipnose para diversos sintomas patológicos e comportamentos indesejados. Aqui citaremos alguns exemplos mais procurados pelos pacientes: tabagismo, alcoolismo, dependência química, compulsão alimentar, obesidade, agitação, dificuldade de concentração, distúrbios do humor, timidez, gagueira, insônia, medo ou pânico de falar em público, de estar em lugares fechados, de dirigir automóveis, de viajar de avião, de nadar, escalar e outros.
A Hipnose, portanto, está indicada para inúmeros e diversificados sintomas. Ela traz alívio rápido para queixas pontuais e de instalação recente, assim como possibilita mudanças profundas e específicas em hábitos, comportamentos e sentimentos de instalação remota. É sensato considerar que, quando os sintomas estão mais profundamente instalados, exigirão um número maior de sessões e a repetição dos estímulos é que possibilitará a ressignificação das sensações. Todo sintoma emocional tem sua origem em um acontecimento específico, mas pode ou não ser um fato consciente para o paciente. Logo, a eficácia do tratamento reside em trazê-lo do subconsciente à superfície consciente e abordá-lo terapeuticamente.
Memórias dolorosas, indesejadas ou inadequadas podem impedir que a pessoa desenvolva uma vida saudável, desestimulando ações e empreendimentos pessoais. Traumas e percepções negativas sobre a vida e sobre si mesmo podem ainda comprometer a autoestima do indivíduo, permitindo a instalação de uma tristeza leve ou até de uma depressão profunda, desencadeando isolamento social, irritabilidade e mau humor crônicos, dificultando relacionamentos afetivos ou o sucesso profissional.
A Hipnose é uma excelente ferramenta para acelerar ou trazer uma dinâmica de aprofundamento e descobertas para todos os tipos de psicoterapia que possam ser associadas. Portanto, Hipnose e Psicoterapia são essencialmente complementares.
Em algumas situações específicas poderemos agregar outra eficiente ferramenta, a Técnica de Regressão, que será abordada em artigo paralelo.
No consultório, iniciamos o atendimento através da anamnese ou histórico do paciente, na qual delineamos as bases do tratamento a ser cumprido, respeitando criteriosamente a individualidade “do ser, do saber, do querer e do estar em condições” de cada paciente.
Vamos listar algumas indicações para ficar mais fácil de entender?
Tratamento com a Hipnose: principais indicações
– Dores de diversas etiologias (desde que a doença base esteja diagnosticada)
-Tabagismo, alcoolismo, dependências químicas
– Compulsão alimentar, obesidade
– Ansiedade, agitação, dificuldade de concentração
– Distúrbios do humor, irritabilidade crônica
– Timidez, gagueira
– Insônia, excesso de sono, distúrbios do sono
– Medo de falar em público
– Medo de estar em lugares fechados
– Medo de dirigir automóveis, de viajar de avião,
– Medo de nadar, escalar
– Medo do escuro, de insetos ou animais específicos
– Memórias dolorosas, indesejadas ou inadequadas
– Traumas e percepções negativas sobre a vida e sobre si mesmo
– Baixa autoestima, desânimo, desmotivação
– Tristeza leve até de uma depressão profunda
– Isolamento social
– Dificuldade em desenvolver relacionamentos afetivos duradouros
– Dificuldade em empreender uma carreira profissional de sucesso
Qual a duração do tratamento com a Hipnose? De quantas sessões de Hipnose vou precisar?
Não temos como antecipar o número de sessões necessárias para a resolução do quadro clínico pois cada pessoa é um universo único e repleto de nuances a serem consideradas individualmente.
Temos que considerar o histórico clínico de cada paciente, a gravidade e duração dos sintomas, os tratamentos realizados anteriormente ou em andamento, as queixas pregressas e atuais, a bagagem emocional, a motivação e a maturidade para se empreender mudanças, as metas pessoais e a disposição de se entender responsável pelo próprio processo de cura e de se empenhar para alcançá-lo.
A finalização do tratamento, portanto, poderá ocorrer em poucas sessões, desde que o intervalo entre as mesmas também tenha sido ajustado individualmente.
Frequentemente ensinamos as técnicas de auto-hipnose, para que o paciente desenvolva autossuficiência na sua caminhada de transformação pessoal, que deve ser contínua, mas intercalada de etapas de esforço e descanso, onde a absorção do aprendizado e transformação possa ser plena e recompensadora.
Concluindo, para todas as sensações e sentimentos incrustados no âmago do subconsciente humano, o caminho hipnótico pode ser uma excelente terapia, pois atua diretamente no local onde eles dormitam, reconduzindo o subconsciente ao estado de equilíbrio que todos anseiam.
Somos seres destinados a felicidade e temos não só o direito, mas o dever de buscá-la em cada dia de nossas vidas.
Seja feliz, seja seu próprio mestre!